Variedades

Assassinato de Eliza Samudio: “Não Matei. Eu levei para matar”.diz Macarrão

ÉPOCA

Em uma manhã quente do início de fevereiro do ano passado, Luiz Henrique Ferreira Romão, de 32 anos, entrou, de cabeça baixa e roupa suada do trabalho, na principal autoescola de Pará de Minas, cidade de 90 mil habitantes localizada a 90 quilômetros de Belo Horizonte. Embora acumulasse milhares de quilômetros em viagens de carro entre o Rio de Janeiro e a capital mineira, estava ali para tirar sua primeira habilitação. Além de preço e condições de pagamento, queria se certificar de que poderia fazer as aulas em horários rígidos. “Sou presidiário”, avisou. Entre a surpresa e o receio, a gerente do estabelecimento disse que não havia problema. Tentou quebrar a tensão, buscar proximidade e fez a pergunta inevitável sobre qual crime o interessado havia cometido. “Matou?”, perguntou. Romão ergueu os olhos e, sem titubear, confessou com desconcertante segurança: “Não. Eu levei para matar”.

Trinta quilos mais magro e sempre de boné para esconder a recente calvície, Romão, para seu alívio, não tem sido reconhecido nas ruas. Em julho de 2010, ele se tornou personagem de um dos crimes de maior repercussão do país, o desaparecimento e o assassinato da modelo Eliza Samudio, uma das amantes de Bruno Fernandes, então goleiro do Flamengo, com quem teve um filho. Com seu rosto rechonchudo, ele ficou identificado como Macarrão, o fiel amigo e cúmplice do então atleta.

Condenado em 2012 a 15 anos de prisão pela participação no assassinato, Romão passou sete anos e oito meses atrás das grades. Foram seis anos no presídio de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde ocupava uma cela individual. Em junho de 2016, foi transferido para a penitenciária Doutor Pio Canedo, em Pará de Minas, para ter o benefício de trabalhar durante o dia e voltar à prisão para dormir em uma cela com outros 17 detentos. Em 2 de março, conseguiu o direito ao regime aberto por bom comportamento. “Não sou aquele monstro. Meu nome não é Macarrão. Eu sou Luiz Henrique. Sempre fui moleque bom, trabalhador”, repetiu como um mantra ao encontrar-se com ÉPOCA pela primeira vez nos fundos da Igreja do Evangelho Quadrangular, no dia em que completava um mês de liberdade. Era uma segunda-feira à noite, e 20 fiéis haviam acabado de fazer um estudo bíblico. Romão entrou pela porta lateral da igreja, cumprimentou uma mulher pelo aniversário e foi saudado por pessoas que ainda estavam ali. Ficou meio amedrontado quando se deu conta de que tinha visitas.

Mostrar +

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close