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Pode Isso Arnaldo? Mesmo preso, ex-secretário de Fazenda recebe salário mensal de R$ 24 mil

O ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Marcel de Souza Cursi, preso desde setembro de 2015, ainda recebe salário mensal de R$ 24.274,13 mil pelo cargo de fiscal de tributos do Estado. Cursi é acusado de participar de esquemas que culminaram em desvios milionários aos cofres públicos estaduais.

Ele é réu nas operações Sodoma e Seven. Apesar de não estar exercendo suas funções como fiscal de tributos, o nome do ex-secretário consta na lista de pagamentos da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz).

Servidor concursado do Estado, Cursi recebe salário líquido mensal de R$ 18.757,15. No Diário Oficial do dia 10 deste mês, o nome do ex-secretário circulou juntamente com o de outros fiscais de tributos do Estado.

No documento consta a folha de pagamentos dos servidores da Secretaria de Fazenda. Por ter trabalhado durante mais de duas décadas como fiscal de tributos, Cursi possui um dos maiores salários na lista da Sefaz.

Na publicação é possível ver que ele ainda contribui para a a aposentadoria. Do salário bruto recebido por Cursi, R$ 2.846,83 são destinados ao Imposto de Renda e R$ 2.670,15 mil à previdência.

O salário líquido que ainda é recebido por Cursi chega a ser superior ao valor bruto dos atuais secretários de Estado, que recebem R$ 18.258,00 mil por mês.

Em novembro de 2015, a Sefaz instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar irregularidades que teriam sido praticadas por Cursi enquanto atuava como servidor da secretaria. A investigação poderá culminar na exoneração do ex-secretário, porém não há informações sobre o andamento das investigações.

Marcel de Souza Cursi foi preso após ser um dos alvos da 1ª fase da “Operação Sodoma”. Ele foi apontado como o “mentor intelectual” do esquema de fraudes em incentivos fiscais no Estado.

Recentemente, Marcel passou mal dentro do Centro de Custódia de Cuiabá. Ele ficou internado durante uma semana, em um hospital particular de Cuiabá, com problemas cardíacos. Ele já retornou para a unidade prisional.

O ex-secretário também teve mandados de prisão expedidos na 2ª fase da “Operação Sodoma”. Ele é suspeito de ter utilizado uma empresa de fachada, registrada em nome de sua esposa, que teria movimentado até R$ 3,5 milhões oriundos de propina.

Os mandados de prisão expedidos nas duas primeiras fases da Sodoma, porém, foram revogados.

No entanto, Marcel permanece preso preventivamente em razão da 4ª fase da operação da Delegacia Fazendária. Ele é suspeito de ser um dos beneficiários de um esquema de desvio de dinheiro público por meio de desapropriação de uma área no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. As investigações apontaram que, supostamente, um grupo de criminosos desviou R$ 15 milhões dos cofres públicos do Estado.

Nesse esquema, o ex-secretário teria recebido cerca de R$ 605 mil. No fim de novembro passado, o empresário Filinto Muller, que firmou termo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que Cursi utilizou contas bancárias para ocultar dinheiro de propina.

Cursi também é réu na “Operação Seven”, que apura suposto esquema que teria desviado  R$ 7 milhões do Estado. O crime teria sido praticado por meio da compra de uma área rural de 727 hectares, na região do Manso, em Chapada dos Guimarães.

Conforme uma das denúncias do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) contra Cursi, o ex-secretário utilizava empresários como “fantoches” para realizar transações financeiras e ocultar dinheiro provindo de desvios dos cofres públicos do Estado.

As operações Seven e Sodoma devem ter suas primeiras sentenças proferidas no primeiro semestre deste ano, conforme adiantou a juíza Selma Arruda, da Sétima Vara Criminal, responsável pelas ações criminais.

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