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Doleiro e delator da Lava-Jato confirma que JBS pagava propina para políticos de MT


O doleiro e delator da operação “Lava-Jato”, Lúcio Funaro, disse em seu acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que “grande” parte dos lucros da JBS – empresa que pertence a um dos maiores grupos de produção de proteína animal no mundo -, tinha origem em esquemas de sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), conseguidos por meio de pagamentos de propinas a políticos de Mato Grosso, unidade federativa que possui 11 plantas frigoríficas da organização.

“[Lúcio Funaro] entende que grande parte do lucro da JBS é relacionado ao esquema de fraude e sonegação do ICM e o incentivo fiscal que ele conseguia através de pagamento de propina a políticos no Mato Grosso”, disse o delator.

Já em seu acordo de colaboração premiada, realizado também com a PGR em agosto deste ano, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) disse que a JBS, de fato, pagou propina para obter benefícios fiscais em sua gestão. Em seu depoimento, o ex-chefe do executivo estadual disse que recebeu R$ 3 milhões por meio de Caixa 2 (doação em dinheiro não declarada a Justiça Eleitoral).

Silval Barbosa também afirmou em seu acordo de colaboração premiada que tinha um “crédito” de R$ 12 milhões em propina com o grupo. Ele afirma que, ao final de sua gestão, ainda teria R$ 8 milhões para receber da “gigante da carne”.

Já Wesley Batista, um dos proprietários da JBS, que também firmou acordo de colaboração premiada com a PGR em maio de 2017, disse que repassou, entre os anos de 2011 e 2013, R$ 30 milhões em propina para o grupo político de Silval Barbosa com o objetivo de enquadramento no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), a principal política pública de concessão de benefícios fiscais no Estado.

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, no entanto, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de rescisão da colaboração premiada realizada pelo proprietário da JBS em razão de fatos omitidos por ele em seu depoimento. O Ministro Edson Fachin precisa homologar a rescisão, porém, em manifestações dos próprios Ministros do STF, a tendência é que as provas e informações obtidas nas declarações do empresário ainda sejam válidas.

 

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