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Assembleia recua de votar soltura de Mauro Savi e vai aguardar desfecho no TJ

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ingressou com um mandado de segurança no pleno do Tribunal de Justiça para obter o direito de realizar uma sessão que pode determinar a soltura do deputado estadual Mauro Savi (DEM), preso desde a última quarta-feira (12) em virtude da “Operação Bônus”, segunda fase da “Operação Bererê”. O processo foi distribuído ao desembargador Juvenal Pereira da Silva.

A decisão pelo mandado de segurança ocorreu após o legislativo receber um ofício do desembargador José Zuquim Nogueira, autor do decreto prisional contra Savi, alertando que os parlamentares podem responder por desobediência, obstrução a Justiça e ato de improbidade administrativa. O ofício ocorreu após a Procuradoria emitir um parecer onde aponta que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não decidiu sobre a mudança na Constituição Estadual que trata sobre a prerrogativa da Assembleia de votar as prisões de deputados estaduais, mesmo em casos de flagrante.

Em seu decreto prisional, José Zuquim Nogueira havia determinado que a Assembleia não pode analisar se mantém, ou não, a detenção do parlamentar, alegando que a situação dos deputados estaduais é diferente dos membros do Congresso Nacional – no caso deputados federais e senadores.

Ontem, antes da notificação, a Assembleia sinalizou, através de uma nota publicada em seu site, que iria manter o trâmite legislativo para a realização da sessão para analisar a situação do deputado estadual Mauro Savi (DEM). Havia a expectativa dela ser realizada na segunda-feira, data em que os parlamentares não realizam sessões. Porém, uma eventual sessão só será agendada após a análise do mandado de segurança impetrado nesta sexta.

No início da nota emitida nesta sexta, a ALMT destaca que a Procuradoria Geral em nenhum momento emitiu parecer jurídico conclusivo que pudesse afrontar qualquer decisão proferida pelo desembargador José Zuquim Nogueira, que determinou a prisão de Savi, e que apenas confeccionou dois memorandos, destinados ao presidente da Casa, Eduardo Botelho, e ao secretário parlamentar da Mesa Diretora, informando que haviam sido notificados sobre a decisão do magistrado.

“Fez constar em tais memorandos que a advertência realizada pelo desembargador José Zuquim Nogueira, para fundamentar a decisão que vedava a expedição de resolução ou quaisquer atos que importassem em revogação da prisão preventiva decretada contra o deputado Mauro Luiz Savi, não se sustentava. Porquanto não vislumbrou impedimento legal para o início dos trâmites que visasse à sessão para deliberação acerca do cárcere provisório imposto”, diz a nota.

No texto, a ALMT questiona a determinação do desembargador, baseando-se no julgamento Ação Direta de Inconstitucionalidade que tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF), que questiona o direito do Parlamento deliberar, mantendo ou não a prisão, com base em um dispositivo da Constituição do Estado de Mato Grosso.

O julgamento encontra-se suspenso atualmente, faltando apenas os votos dos ministros Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski. Com base nisso, a ALMT informou que a sessão que para analisar a situação de Mauro Savi poderia ser deliberada no Colégio de Líderes. O texto termina com um recado direto do Legislativo estadual ao Judiciário, aumentando ainda mais a tensão entre os Poderes.

“O Colégio de Líderes deverá se reunir, na semana vindoura, para deliberar sobre o início ou não do trâmite legislativo, tal como acima exposto, ciente da evolução do pensamento de que não compete ao Parlamento expedir alvará de soltura, cujo ato se traduz em cláusula de reserva de jurisdição. Por fim, o Poder Legislativo reitera seu respeito a todos os Poderes do Estado de Mato Grosso, cujas atividades típicas e atípicas devem ser desempenhadas nos estritos termos delineados pela Constituição da República e Constituição do Estado de Mato Grosso, prestigiando, por sua vez, o festejado Estado de Direito”.

DO FOLHAMAX

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