• 21 de janeiro de 2020

De pés no chão /POR EDUARDO GOMES

Monte Carlo nunca hostilizará o trade turístico. Paris continuará se rendendo ao Arco do Triunfo, ao Louvre.

 

Para os locais, a lavoura do fumo em Santa Cruz do Sul é intocável. No mundo é assim: governantes e governados se unem por seus interesses comuns.

 

A exceção fica por conta de Mato Grosso, onde um barulhento grupo sataniza a sojicultura e dispensa aos seus agricultores a pecha de barões da soja.

Desde 1997, para exportação, a soja é desonerada do ICMS pela Lei Kandir. Desde então ocupa lugar de destaque na balança comercial brasileira e representa estratégico componente da política de segurança alimentar mundial.

Defendo uma reforma tributária e essa não pode excluir nenhum produto. Portanto, a questão da soja deve ser analisada dentro de uma conjuntura, não isoladamente

Em Mato Grosso não se pode falar em 20 anos de desoneração da soja, porque antes dessa política tributária não havia grãos para exportação.

 

O cultivo global das culturas mato-grossenses em 1996, na véspera da entrada em vigor da Lei Kandir, era de 12 milhões de toneladas. Ninguém isenta de tributo aquilo que não existe.

Mato Grosso tem um conjunto de fatores favoráveis ao cultivo da soja. Porém, na outra ponta, pesa em desfavor o índice de continentalidade – indicador que mede a distância da lavoura ao porto. Em todas as direções o escoamento dos grãos enfrenta quilometragem que rouba lucratividade.

Testemunhei a soja chegar ao abençoado Mato Grosso em 1973 pelas mãos do pioneiro Adão Riograndino Salles Mariano, numa região onde o planalto de Rondonópolis começa a ceder lugar ao Pantanal.

 

Também acompanhei a ousadia de Munefume Matsubara, que investiu US$ 1 mi em pesquisas, em Sorriso, para provar a viabilidade de se cultivar abaixo do Paralelo 13.

 

Na safra pioneira de Matsubara em 1977/78 numa área de 3.600 ha, a produtividade alcançou 15 sacas/ha com a cultivar UFV-1.

Vi cidades nascerem dos sonhos de Norberto Schwantes, Ênio Pipino, Claudino Francio, Zé Paraná e se transformarem em polos.

 

Antes que se assentasse o primeiro tijolo em Sapezal, o arquiteto e agora deputado federal Adilton Sachetti comemorava o projeto urbanístico de sua autoria para André Maggi, que diversificava seu leque empresarial com a construção de uma cidade com o DNA da soja no Chapadão do Parecis.

Defendo uma reforma tributária e essa não pode excluir nenhum produto. Portanto, a questão da soja deve ser analisada dentro de uma conjuntura, não isoladamente.

 

Mas quanto a isso é preciso que se esclareçam duas coisas.

 

Primeiro: nenhum país exporta tributos e a velha e boa regra do mercado vigora nas exportações, com os chineses e a União Europeia importando o grão para garantir mercado de trabalho aos seus.

 

Segundo: Mato Grosso com 3,2 milhões de habitantes não tem mercado para consumo elevado da leguminosa, nem mesmo indiretamente quando ela se transforma de proteína vegetal em proteína animal.

Creio que é preciso esvaziar o debate com o fígado e levá-lo para o solo, que é onde se cultiva e onde se bota os pés no chão.

EDUARDO GOMES é jornalista do Diário de Cuiabá.

Rufando Bombo

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