• 12 de novembro de 2019

Crônica de uma cassação anunciada/ Por Kleber Lima

Novembro chegou trazendo consigo uma situação assombrosa dos bastidores da política cuiabana: um dia depois que um vereador procurou a polícia para registrar um boletim de ocorrência contra um colega que o estaria difamando com a divulgação de uma foto íntima, vem a  público a revelação de que a tal foto seria, na verdade, a prova de um crime bem pior praticado pelo autor do BO: assédio e importunação sexual contra uma servidora municipal da saúde.

Como problema pouco é bobagem, no dia seguinte ao mesmo BO – e também em consequência dele – descobre-se que o autor de infeliz iniciativa é investigado pelo Ministério Público por nada menos que exploração sexual infantil.

É evidente que é ainda muito cedo para se emitir qualquer juízo de valor sobre a procedência das denúncias ou fazer julgamentos sobre a culpabilidade do vereador denunciado (cujo nome omito de propósito, por tais razões).

O risco de ser cassado, entretanto, independe do decurso do devido processo judicial / legal, porque a lógica do julgamento das ruas, especialmente em tempos de redes sociais e pós-verdade, é mais rápida e implacável no justiçamento.

Veja-se o caso da jovem e bela miss de Campo Novo do Parecis, que foi linchada pela opinião pública após fazer apenas e tão-somente uma brincadeira de gosto duvidoso sobre a peleja de um outro jovem semelhante a si que trabalhava como entregador de aplicativo utilizando uma bicicleta. Se fosse vereadora, teria sido cassada.  Como era apenas uma humilde miss de uma cidade do interior, teve seu título cassado.

Os dois casos não guardam nenhuma relação direta entre si, a não ser a semelhança na lógica do justiçamento digital atual, desde que o número de compartilhamentos for grande o suficiente. Se alguém lançar a hashtag #cassaele, aí já era para o vereador! Porque dificilmente a Câmara conseguiria resistir à pressão da opinião pública nas redes sociais.

Por muito menos que isso – e numa época em que as redes sociais não eram tão dominantes como hoje -, outro vereador de Cuiabá foi cassado, em 2009, por um desacordo comercial com uma travesti após um programa sexual a região do Zero KM, em Várzea Grande – VG parece ser a maldição das aventuras sexuais dos vereadores de Cuiabá, já que a exploração sexual contra menores de idade também se daria na Cidade Industrial, segundo a denúncia em investigação pelo MP.

A solução dessa crise política e de imagem vai exigir do vereador temperança, profissionalismo, sabedoria e Inteligência emocional e política – tudo que lhe faltou até o momento.

Afinal, quem acendeu o estopim da crise foi o próprio vereador ao cair na provocação do colega e procurar a polícia para oficializar uma queixa-crime contra ele e assumir oficialmente que uma foto que seria impossível de reconhecer por estar com a “cabeça cortada” era sua.

A continuar com essa administração de crise, o beozinho vai virar um beozão e a cassação do vereador será inevitável.

Para piorar, pela natureza sexual da crise e por envolver denúncia de exploração infantil, a lógica e o bom senso recomendam que a Câmara de Vereadores de Cuiabá, como instituição, deverá ficar longe da defesa do vereador denunciado – que está entregue à solidão da própria sorte e à mercê do próprio destino!

(*) KLEBER LIMA é Diretor de Jornalismo do HNT / HiperNotícias e escreve aos domingos. E-mail: kleberlima@terra.com.br

Rufando Bombo

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