Cotidiano

Vergonhoso; MT tem 149 mil crianças fora de creches ou escolas

A Gazeta/ foto reprodução

 

Um total de 149 mil crianças de até cinco anos não frequenta creches ou escolas em Mato Grosso. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad 2017.

Segundo o estudo, existem no Estado, 270 mil crianças nesta faixa etária, sendo 184 mil de 0 a 3 anos e 86 mil de 4 a 5 anos. O número de crianças fora da creche ou escola equivale a 55% do público total, sendo a maior parte de 0 a 3 anos.

Das 149 mil crianças fora da creche ou escola, 18%, o equivalente a 27 mil são por falta de vagas, 14% referente a 21 mil ocorre devido a ausência ou distância de unidades na localidade. Dos que estão fora da creche ou escola, 76 mil são meninos e 73 mil meninas. E ainda 58 mil são crianças brancas e 91 mil (61%) são negras ou pardas.

A primeira meta do Plano Nacional de Educação estabelecia até 2016 a universalização da educação infantil na pré- escola para as crianças de 4 a 5 anos de idade. Além de ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final da vigência deste PNE.

O plano estabelece metas e estratégias para melhorar a qualidade da educação até 2024. As metas vão desde a educação infantil até a pós-graduação e incluem valorização dos professores e melhorias em infraestrutura. Os números do Estado ainda estão distante da meta.

Quem não conseguiu vaga na creche afirma que o número de ofertas é muito abaixo do ideal. Andressa Cristina de Melo, 26, é moradora do Bairro Jardim Paula em Várzea Grande e conta que por dois anos seguidos não conseguiu vaga para o filho de 4 anos. “Cheguei a dormir por três dias na fila. Todo começo de ano é assim. As vagas são poucas e não atende quem realmente necessita. Eu preciso de uma vaga para deixar meu filho e poder trabalhar”, afirma.

Joseane Silva, 27, moradora do Bairro Marajoara diz que se hoje tem um lugar para deixar o filho de 3 anos ela precisou pagar. Ela conta que percorreu as creches quando abriram as vagas sem sucesso. “Acho isso absurdo. Eu recebo menos que dois salários minímos e tenho que pagar R$ 350 para uma pessoa cuidar do meu filho pois não tinha vaga na creche. Isso não é só eu. Conheço várias pessoas que tem que tirar do bolso para pagar alguém para cuidar do filho e só assim poder trabalhar”, disse.

Ação

O Ministério Público Estadual, por meio da 8ª Promotoria de Justiça Cível, notificou o secretário municipal de Educação de Cuiabá, Alex Vieira Passos, para que no prazo de 30 dias comprove a matrícula na rede municipal de ensino, na modalidade creche, de 736 crianças de 0 a 3 anos de idade – que estariam na fila de espera aguardando uma vaga. O número é referente ao acumulado de 2017 e 2018.

O município deverá, ainda, apresentar no prazo máximo de 30 dias, informações comprovadas sobre o planejamento da Secretaria Municipal de Educação para a ampliação progressiva da oferta de vagas em creches ainda em 2018, mediante a construção de novas unidades ou ampliação da rede conveniada.

Outro lado

A Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) confirmou que os municípios que são responsáveis pela oferta e atendimento às crianças, com creches. “O Estado não tem creches, mas participa dando apoio na construção dos Planos Municipais de Educação”, confirma.

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