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E-mail liga coronel investigado à obra na casa de filha de Temer

O GLOBO

BRASÍLIA – Um e-mail que teria sido encontrado pela Polícia Federal (PF) na casa do coronel João Baptista Lima Filho, amigo de longa data de Michel Temer, reafirma a ligação dele com a reforma de um imóvel ligado a Maristela Temer, filha do presidente. O e-mail é mais um dos documentos apreendidos que ligariam Lima Filho à obra. A informação foi antecipada pela “Folha de S. Paulo” nesta quinta-feira. (TUDO SOBRE A “REPÚBLICA GRAMPEADA”)

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No início do mês de junho, já havia vindo à tona que a Polícia Federal apreendeu no escritório do militar aposentado planilhas de movimentações bancárias associadas ao escritório político de Temer e arquivos relacionados à reforma.

O GLOBO mostrou que o coronel foi responsável pelo pagamento de material de construção para a reforma. A Argeplan, empresa do próprio Lima Filho, acertou os custos de compras feitas numa empresa no interior de São Paulo, responsável pela obra.

Segundo a “Folha”, o e-mail, que é de 2014, foi enviado por um arquiteto e cobra do coronel o pagamento de R$ 44.394,42, referentes a itens como mão de obra e material.

O coronel é investigado pela PF após ser apontado por delatores da JBS como destinatário de R$ 1 milhão em dinheiro por ordem do presidente Michel Temer.

Segundo Ricardo Saud, delator da JBS, na campanha de 2014 Temer teria embolsado R$ 1 milhão dos R$ 15 milhões de propina que o PT repassou ao então vice-presidente para serem redistribuídos ao PMDB.

Os primeiros documentos relacionando o militar a Temer foram apreendidos na Argeplan Arquitetura e Engenharia, em São Paulo, durante a Operação Patmos, deflagrada a partir das delações da JBS.

 

Não é a primeira vez que Lima é citado como receptor de propina para Temer. Em 2016, quando José Antunes Sobrinho, um dos sócios da Engevix, tentou fechar um acordo de delação na Lava-Jato, a revista “Época” revelou que a Argeplan e a AGF Consulting tinham ganhado concorrência de R$ 162 milhões para as obras de Angra 3, em 2012. O coronel teria convidado a Engevix, como subcontratada.

Sobrinho disse ter se encontrado duas vezes com Temer e o coronel, no escritório do então vice-presidente, em São Paulo, para tratar do assunto. Em seguida, Lima teria cobrado R$ 1 milhão, que seria destinada à campanha de Temer em 2014.

Depois que o almirante Othon Silva, ex-presidente da Eletronuclear, foi preso na Lava-Jato, o coronel teria procurado Sobrinho para devolver o dinheiro, mas o empresário recusou. Em 2016, a negociação para a delação de Sobrinho foi suspensa. Com o desmembramento da ação para o Rio, as tratativas foram retomadas.

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