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VLT o Trem-fantasma/Por Eduardo Mahon

Há um risco de o VLT não sair. Sempre houve, na verdade, desde o começo dessa aventura política irresponsável. Já consumiu dinheiro público. Aceitaríamos gastar mais R$ 1 bilhão para concluir? R$ 1 bilhão?

 

Em Cuiabá, há político roendo o osso alheio para sair R$ 80 milhões, a fim de concluir e equipar o Pronto-Socorro. A Saúde Pública é um caos, aparentemente insolúvel.

 

Com o dinheiro que o Governo vai tomar de empréstimo para concluir o VLT, seria possível construir e equipar cinco hospitais regionais. Cinco hospitais inteiros, novinhos em folha. Para todos os quatro cantos do Estado.

 

Mas não. Tem gente que quer o VLT de qualquer forma.

 

Depende do Governo? Não. A questão está com o Judiciário. O Ministério Público é contra. Estadual e Federal, aliás.

Vamos ser racionais. Refazer o traçado, arborizar a cidade, reforçar a frota de ônibus, implantar ciclovia e corredor para pedestres. Não é melhor? Não é mais barato?

 

É provável que, com essa equação, nenhum juiz federal libere uma obra dessa monta. Vamos que libere. A obra depende do Governo? Ainda não.

 

A Assembleia Legislativa precisa autorizar R$ 1 bilhão de empréstimo público, endividamento grave. Investimento em meio à pior crise financeira do Brasil. Ok. Imaginemos que autorize o papagaio.

 

Resolvida a questão? Não. É preciso saber quem vai gerenciar a barafunda e a que custo. É provável que a passagem seja subsidiada. O que é isso? Significa que parte da passagem de cada usuário ainda será custeada por dinheiro público.

 

Isso tudo para quê? O cidadão que tem um carro não vai abrir mão dele para usar frequentemente o VLT, ainda mais com uma única linha vai-e-volta.

 

Os mais pobres não pagarão pelo preço da passagem que, certamente, será mais alta do que a do ônibus.

 

No Rio de Janeiro, o VLT virou um trem-fantasma, frequentado por poucos turistas.

 

Aqui, quantos passageiros diários estão previstos no trajeto? Já se fez a conta se a demanda paga a manutenção?

 

Alguém em sã consciência pode garantir a que preço será praticada a tarifa? Quem vai administrar? Não haverá mais surpresas?

 

O VLT foi um sonho. Um delírio vaidoso. Como diz meu velho pai, vaidade custa caro. Mato Grosso já pagou, como sempre os vaidosos pagam.

 

Estamos dispostos a pagar mais vaidade? Dobraremos a aposta? Quero acreditar que não. A gente não merece. Quem é contra o VLT é contra a cidade? Ahh…. já passou essa fase de ufanismo, né?

 

Vamos ser racionais. Refazer o traçado, arborizar a cidade, reforçar a frota de ônibus, implantar ciclovia e corredor para pedestres. Não é melhor? Não é mais barato?

 

Se conselho fosse bom, não era dado de graça. Mas a gente teima e oferece mesmo assim.

 

Como cidadão, no entanto, penso que não devemos nos omitir em opinar. Sai dessa, governador! Sua gestão tem problemas demais: a crise financeira, a Saúde, a Segurança, funcionalismo, entre tantos outros.

 

O VLT nunca foi ideia sua. Não carregue essa cruz. Jogue limpo com o povo. Diga: lamento muito, mas não dá pra fazer.

 

Vai apanhar? Vai. Muito? Demais até. Mas é melhor agora do que mais tarde, numa crise que sabemos onde vai nos levar: ou em sepultamento político ou em corrupção.

 

Governador, esse é um bonde no qual não queremos embarcar e, creia, milhares desembarcarão antes de chegar ao fim.

 

Quem realmente ama Cuiabá prefere uma cidade mais justa, que atenda seus cidadãos quando estiverem doentes, que não os deixe nos corredores dos hospitais, que cuide das crianças pequenas, que seja segura e policiada.

 

Isso, sim, é amor por Cuiabá…

 

EDUARDO MAHON é advogado e escritor em Cuiabá.

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