Artigos

Vitória política/ por Rodrigo Rodrigues

A  nossa cultura ainda valoriza muito aqueles que saem vitoriosos das urnas, os eleitos. O nosso sistema eleitoral causa algumas distorções nas eleições proporcionais. É normal alguns candidatos terem votação expressiva e não serem eleitos e outros com metade, ou menos da metade, e conseguirem uma vaga. Somos uma democracia, mas muito engessada ainda. Eu sempre gostei da militância partidária, mas não acho nada democrático a obrigação de estar filiado a um partido para concorrer. Foi-se o tempo em que partido político era igual a time de futebol, para toda a vida.

Em um estado democrático de direito, como é o Brasil, sobra pouca margem para esse ou aquele partido, que chega ao poder, imprimir a sua matriz ideológica. Um exemplo claro de como os partidos se tornaram uma questão cartorial, é o do candidato eleito Mauro Mendes, que a um ano atrás era filiado ao PSB – Partido Socialista Brasileiro, fundado por Miguel Arraes, de esquerda, e que defende um regime socialista. Agora, Mauro foi eleito pelo DEM – Partido Democrata, que se intitula de direita, ex- PFL, liberal que defende o livre mercado.

O que precisamos é saber valorizar todos aqueles candidatos, independentemente da matriz ideológica, que se propuseram a ir para as ruas e defenderam uma ideia ou um ideal. Com muito voto ou pouco voto, esses candidatos que não conseguiram uma vaga, devem ser respeitados e estimulados a permaneceram defendendo suas causas. Como já disse, o sistema eleitoral nem sempre é justo. ainda que tenham tido uma derrota eleitoral, muitos tiveram uma grande vitória política.

Numa conta simples, podemos chegar a um resultado somando os apoios e o que foi gasto, quem saiu da urnas como verdadeiras lideranças. Dos que saíram consagrados das urnas e não foram eleitos, podemos tomar como exemplo a candidata Gisela Simona, a mais votada em Cuiabá.

Conheço um pouco dos bastidores da política e de uma campanha eleitoral. Dentro de Cuiabá, Gisela imprimiu uma derrota acachapante sobre o segundo colocado para deputado federal, mostrando que boa parte dos eleitores optaram por quem tem competência e serviços prestados. Outros candidatos torraram milhões e tiveram o apoio de várias lideranças de bairro, de vereadores, e segundo alguns observadores, conseguiram se eleger graças a milhões desviados do contribuinte cuiabano. Esse é o caso de vitória eleitoral com sabor de derrota política. Já Gisela, é o contrário, em que pese ter sido derrotada eleitoralmente, ele teve uma belíssima vitória política.

Outro que teve uma vitória política e consolidou sua liderança foi o senador Wellington Fagundes.

Antes da convenção, Wellington sofreu um ataque especulativo sem precedentes na história de Mato Grosso. Poucos acreditavam que ele seria candidato. Mostrando sua capacidade de aglutinar e muita habilidade política, não só conseguiu sacramentar sua candidatura como fez o maior arco de aliança. Montando um palanque, que a luz da razão, todas as classes e todos os segmentos se sentiram representados.

De um lado, enfrentou a máquina do governo, e do outro lado mais de oitenta por cento do PIB de Mato Grosso. Terminou em segundo lugar. Fez uma campanha limpa e de propostas. Venceu a máquina do governo, mas não superou o poder econômico, no entanto, sai como um dos grandes vencedores dessa eleição de 2018.

Foto reprodução

Rodrigo Rodrigues, empresário, jornalista e graduado em Gestão Pública

 

Mostrar +

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close