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Taques contra Taques!/ por Edésio Adorno

É Fake News oficial o boato replicado pela imprensa de que a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PR) ao governo ou eventualmente de Mauro Mendes (DEM), Otaviano Pivetta (PDT), Carlos Favaro (PSD), Dilceu Rossato (PSL) e Jaime Campos (DEM) possam inviabilizar o projeto de reeleição do governador Pedro Taques (PSDB).

Nada disso. Se Taques não fosse Taques, não teria adversário. Seria reeleito por aclamação. Como visto, o problema de Taques se chama Taques. A pedra no caminho de Pedro responde pelo mesmo nome.

Taques deve enfrentar Taques nas urnas e, claro, deve ser abatido pelo próprio Taques. Esquisito isso? Sim, mas explicável sem grandes esforços de imaginação.

O eleitor votou no Taques do Ministério Público Federal – aquele procurador de Justiça célere, corajoso, enérgico contra o crime organizado e disposto a mandar para a cadeia ladrões do dinheiro público e vigaristas da iniciativa privada.

Aquele Taques que mandou Hildebrando Pascoal e João Arcanjo para a masmorra sacudia as massas, era querido, amado e respeitado. Ah, sim! Aquele Taques simbolizava Justiça, ética e catalisava as esperanças de transformação do nauseante mundo político e social.

Aquele Taques vaticinava: “precisamos dar um basta nos políticos corruptos. Dar um basta na saúde que não cura. Dar um basta na educação que não ensina. Um basta no desvio de dinheiro. Chega de Mato Grosso 100% equipado e 20% roubado. É preciso tirar da política os homens que administram em benefício próprio. O homem de bem não pode ficar em silêncio”.

Aquele Taques do combate intrépido à corrupção foi carregado nos ombros da população para o Senado, onde honrou a representação de Mato Grosso, ocupou posição de relevo, fez o bom combate e empolgou seus conterrâneos com discursos demolidores e posicionamentos dignos de um grande tribuno. Taques era a cara dos que tinham vergonha na cara. Foi aclamado governador.

O Taques nutella fez tudo que o Taques raiz não faria

Em outubro de 2014 aquele Taques foi enterrado nas urnas, o que dela emergiu foi apenas um clone sem a essência do clonado. O Taques governador não se confunde com o Taques do MPF e muito menos com aquele vibrante senador.

O Taques governador buscou inspiração no ditador coreano Kim Jong-un, deixou-se guiar pela obsessão de mandar para a guilhotina adversários já derrotados nas urnas, esqueceu de governar, desprezou aliados de primeira hora e, em nome da governabilidade, ajoujou seu governo com Guilherme Maluf, Eduardo Botelho, Mauro Savi, Ondanir Bortolini, Pedro Satélite, Gilmar Fabris, entre outras figuras caricatas da política. O Taques nutella fez tudo que o Taques raiz não faria.

Sem a legitimidade do Taques raiz, o Taques nutella vai as urnas em busca de um novo mandato de governador. Se o eleitor não perceber o mimetismo pode até dá certo, mas, se a estratégia falhar, que tenha a humildade para reconhecer que Taques perdeu para Taques.

A oposição somente cresce e aparece quando a situação se apequena, estremece e desaparece. Se Taques continuar tendo Taques como seu calcanhar de Aquiles, qualquer um dos nomes da oposição, que tiver o apoio reverso do Taques nutella, vence com facilidade a peleja pelo comando do governo. Ou não?

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente para este Blog toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com

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