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Nome aos bois/Por Rodrigo Rodrigues

Em 2002, foi formado um grupo com intuito de destronar o grupo do homem das Diretas, do ex-governador Dante Martins de Oliveira.

Pautados por uma pesquisa do Vox Populi, este grupo percebeu que nenhum dos líderes ali ganhariam a eleição do candidato de Dante, o senador Antero Paes de Barros. Cientes do grande desgaste que tinham, partiram atrás de Blairo Maggi, filho do agricultor André Maggi.

Apesar de ser cercado com o que tinha de mais retrógrado e arquaico na política de nosso estado, Blairo Maggi veio com o discurso do novo na política, do empresário bem sucedido que traria toda “eficiência”da iniciativa privada para gestão pública. Nas entrelinhas, deixava passar também a mensagem que por ser rico não roubaria e nem deixaria roubar.

O resultado todos sabem, Baliro governou por dois mandatos, elegeu seu sucessor, Silval Barbosa e, indiretamente, junto com o grupo que o elegeu em 2002, elegeram o atual governador Pedro Taques. Ciclo este que completará 16 anos em 31 de dezembro deste ano.

O resultado da política implantada por esse grupo dominante em quase duas décadas foi um fosso de desigualdade, transformando Mato Grosso em um mar de miséria com algumas ilhas de prosperidade. Recentemente, o IBGE publicou um estudo no qual Mato Grosso está entre os estados com a pior distribuição de renda.

Lembro-me de uma reunião, da qual participei, que ao discursar, o então candidato Blairo Maggi disse que um dos motivos que o estimulava a ser governador era poder retribuir a graça recebida pela cura da doença de sua filha, proporcionando uma saúde publica de qualidade a todos os matro-grossenses. Não votei em Blairo Maggi, mas confesso que fiquei tocado com seu discurso.

Já Silval Barbosa não me lembro de nenhuma bandeira especifica, de nenhum argumento dramático e muito menos moralista. Quanto a Pedro Taques, ainda está fresco na cabeça de todo mundo. Combater a corrupção, as injustiças, valorizar os servidores e de quebra patrocinar uma gigantesca transformação. O desfecho dispensa comentários.

Será que todos sabem quem são, o que fazem, onde vivem e qual a posição hierárquica deste grupo? Seu “modus operandi”? Seus métodos de persuasão? Suas artimanhas em se infiltrar e dissimular?

O fato é, as eleições se aproximam e este grupo já se organiza para se manter no poder, dando continuidade a um política nefasta, sinistra, que visa somente se enriquecer ainda mais.

No começo, eram “empresários”bem sucedidos que não precisam da política pra viver, criticavam os funcionários públicos e até os políticos de carreira, desde que esses políticos carreiristas não os estivessem apoiando.

Hoje, temos um desmonte total da saúde publica, a corrupção aumentou, o estado inchou, deixada em segundo plano, a educação não avançou e, bingo, a violência explodiu.

Se antes quem só pagava o pato eram as classes menos favorecidas, agora são todas as classes. Ninguém, pobre ou rico está imune aos efeitos colaterais desta pilhagem em nosso estado.

Fora uns poucos privilegiados e o setor do agronegócio, que não chega a ser 15% de nossa população, todos os demais sofrem as consequências do “clube dos cafajestes”.

Se tivesse uma composição formal, como uma “Fiemt” da vida, seria mais ou menos assim:

Presidente de honra (mérito por antigüidade): Júlio José de Campos;

Presidente: Blairo Maggi (mérito conta bancária);

1º vice-presidente: Jaime Campos (mérito conta bancária);

2º vice-presidente: Percival Muniz (mérito de articulador);

3º vice-presidente: Eraí Maggi (mérito conta bancária);

Secretário Geral: Governador Pedro Taques (mérito MP);

Tesoureiro : Dep. Botelho (mérito caixa);

1º tesoureiro: Dep. Nininho (mérito chapéu); e

2º tesoureiro: Éder Moraes (mérito pau mandado).

Componentes de segundo escalão: Mauro Mendes (por ser ex-prefeito de Cuiabá), Emanuel Pinheiro (por ser atual prefeito de Cuiabá), Dep. Mauro Savi, Dep. Gilmar Fabris, Dep. Zeca Viana, Dep. Adilton Sachetti, Dep. Oscar Bezerra, Dep. Max Russi, Dep. Wilson Santos (cristão novo no grupo), Dep. Fábio Garcia, ex-prefeito Otaviano Pivetta, Dep. Dilmar Dal Bosco, secretário Marrafon, suplente de senador Cidinho, Rossato, vice-governador Carlos Fávaro, José Carlos do Pátio (prefeito de Rondonópolis e novo aliado de Taques), ex-prefeito Chico Galindo, Osvaldo Sobrinho, Neri Geller, Jandir Milan ( Ábaco).

Componentes de terceiro escalão: Dep. Baiano Filho, Dep. doutor Leonardo, Dep. Saturnino Masson, Aldo Locatelli, Paulo Prado, Dep. Sebastião Rezende, Dep. Ezequiel Fonseca, Dep. José Domingos Fraga, Jurubeba, Wagner Ramos.

Componentes do quarto escalão: Dep. Daltinho, Dep. Jajah Neves, Dep. Vitorio Galli.

Os citados acima são os que lá atrás ajudaram a eleger Blairo Maggi e agora ajudaram eleger Taques, deram-lhe apoio e fizeram parte de seu governo. Há, por trás destes atores políticos, mais de uma centena de empresários que compõem o que podemos chamar de: Movimento Vamos Morder Muito Mais (MVMMM).

Os membros do MVMMM são responsáveis por: 8 a cada 10 cabeças de boi, 8 a cada 10 pés de soja, 9 a cada 10 incentivos fiscais, 8 a cada 10 reais sonegados, 8 a cada 10 que são roubados do estado.

Somando a diretoria, o segundo, terceiro e quarto escalão, mais uma centena de periféricos que orbitam essa trupe, não representam 20 % de nossa população. Portanto, 80 % de nossos cidadãos estão excluídos do processo, uma inversão escandalosa da democracia.

Mas de quem é a culpa, desses aloprados psicopatas por dinheiro ou do eleitor?

Já dei nome aos bois, ninguém poderá alegar desconhecimento ao eleger qualquer um desses ai e chorar as pitangas depois!

Rodrigo S. Garcia Rodrigues, gestor público, jornalista e empresário.

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