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Mendes, Taques: esqueçam os rancores/ por Jorge Maciel

JORGE MACIEL

A elevação da temperatura no pós-eleições, em Mato Grosso, depois da troca de farpas durante a campanha, e as latentes e desnecessárias declarações de Mauro Mendes, o governador eleito, contra Pedro Taques, o governador que fica até 31 de dezembro, e vice-versa, são prenúncios de tempos de tensão após janeiro. A roupa velha que envolve as comuns “caixas-pretas” nem se lava e não se esquece. É ponto comum aqui e em qualquer lugar onde há troca de comando.

A retração originária da crise econômica que se instalou no País mais profundamente há cinco anos, provocou recuo na arrecadação do estados – alguns dos quais sequer liquidaram a folha de pessoal – e conteve investimentos. É ponto comum, e Mauro Mendes sabe de cor e salteado, que, se não vai bem, a economia do estado está estável e não é esse demônio que se pinta. Ainda assim, ao seu proveito e como é comum a todos os gestores na pré-posse, pulveriza declarações com recheio de ressentimentos parecendo querer antecipar a justificativa por eventual falta de iniciativa, em 2019, ou caso estiver vendo dificuldades para cumprir algumas das inúmeras promessas veladas de campanha, algumas que não serão cumpridas jamais.

Sou do pensamento de que devemos ir à frente. Se houver ilegalidade e irregularidade no seio do ainda atual governo, que se faça um levantamentos, se encaminhe à justiça e se mostre à imprensa, consequentemente, com o tamanho real das nódoas. Por N vezes, a partir da sua vitória, o futuro governador tem demonstrado enorme interesse em revelar mazelas do estado, as que possam haver ou as que o costume de criar terminam por exibi-las.

Não creio que os eleitores que cravaram sua vitória esmagadora nas urnas estejam na torcida e expectativa de que o próximo governador passe primeiramente a se ocupar de expor vísceras do antecessor e deixe de cuidar do dever se seguir em frente e materializar suas promessas e seus planos de governo. A sociedade está farta de mi-mi-mis e enfastiada de conflitos. Avançar, sacudir a poeira, empreender marcha são verbos que a sociedade exige que o próximo governo conjugue.

Os embates são quesitos de campanha, enquanto as divergências entre que estará entronado e quem fará oposição são condimentos naturais da democracia. Isso só. Devemos lembrar que Taques, Mauro Mendes e Otaviano Pivetta vêm de flerte, namoro e casório planejado há quatro anos. Então, é indispensável mostrar que quem é capaz de beijar tem a mesma intenção de dar um tiro.

Poeta e músico cubano, Pablo Milanés grifa em uma de suas tantas canções que “o ódio e distâncias mortais separam vidas e os rancores acumulados fazem irmãos a se olharem com medo”, na interpretação da música “Canción por la Unidad Latinoamericana”. Traduzindo para os nossos lados pantaneiros, bom seria que esses atores sigam seus caminhos, sem agressões precipitadas que geram e multiplicam ressentimentos. Isso não significa dizer que erros graves tenham que ser encobertos – muito pelo contrário. Crimes, erros, má gestão são elementos os quais a polícia e órgãos de controle têm a missão constitucional de cuidar, após devidos encaminhamentos, aí sim, do governo. Que Mendes se se ocupe, principal e prioritariamente, de governar o Estado e que deixe as pedras para trás.

JORGE MACIEL é jornalista em Cuiabá

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