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100 dias de amor platônico a Bolsonaro /Por Vinícius Bruno

Existe algo de controverso entre a expectativa de parte do setor empresarial e a realidade pela qual passa o país. Empresários do comércio, indústria e do agronegócio apostaram alto no Governo Bolsonaro (PSL) como solução para a economia. O discurso da mudança talvez não tenha permitido que muitos empresários não precificassem o custo de eleger alguém sem nenhuma habilidade política e econômica para lidar com um país tão complexo como o Brasil.

O discurso da mudança talvez não tenha permitido que muitos empresários não precificassem o custo de eleger alguém sem nenhuma habilidade política e econômica para lidar com um país tão complexo como o Brasil.

Desde os resultados das eleições em outubro de 2018, os empresários se sentem otimistas com o atual governo. Mas chegamos aos 100 dias de Bolsonaro no Poder, período básico para avaliar o conjunto de propostas e ações já desenvolvidas pelos novos governantes e até o momento, apenas se viu uma relação exterior claudicante entre o presidente da República e os países que consomem os produtos brasileiros.

Do ponto de vista estratégico, Bolsonaro ainda não apresentou nada de substancioso para os setores econômicos, com a justificativa de que seu governo depende da Reforma da Previdência para colocar o trem nos trilhos novamente.

O problema é que a cada dia que passa, Bolsonaro vem perdendo capital político e ganhando desaprovação da opinião pública de modo em geral, com exceção, é claro, da sua falange de seguidores nas redes sociais, que busca se aprofundar muito pouco sobre as reais causas e efeitos na política econômica do país, e prefere repetir os discursos fáceis que elegeram Bolsonaro.

O que causa desconfiança, é que os mesmos grupos empresariais que foram altamente agressivos no Governo Dilma Rousseff (PT), defendendo amplamente o impeachment bem-sucedido da ex-presidente, hoje aplaude um governo que ameaça as estruturas basilares de uma relação diplomática, da qual o Brasil não pode abrir mão, como por exemplo, com os países da Liga Arábe, que consome milhares de toneladas de carnes e grãos brasileiros, principalmente, mato-grossense e dos Estados do Sul, ou mesmo com a China, que é responsável por comprar cerca de 30% da produção de commodities mato-grossense.

A falta de habilidade do Governo Bolsonaro em lidar com temas complexos não é uma novidade, e foi inclusive manifestada pelo próprio presidente quando a presidência da República era apenas uma ideia para Jair Bolsonaro. Mesmo assim, isso não afastou o apoio da maioria dos empresários, independente de segmento, ao presidente.

O que podemos esperar daqui pra frente? Será que o amor entre empresários dos segmentos econômicos e o atrapalhado presidente da República ainda vai durar mais 100 dias?

Bolsonaro ainda tem condições de reverter o jogo, e poderá fazer a melhor gestão econômica de todos os tempos, mas até agora não atacou as reais bases do problema do país, que é alta remuneração que a União garante aos bancos com a manutenção da política de juros situada nas alturas com chancela do Banco Central. Enquanto isso volta à velha retórica de que tudo depende da Reforma da Previdência.

Nesta conjuntura na qual é sistêmica a tendência de valorização dos ricos e o espezinhamento dos pobres, Bolsonaro demonstra mais uma inabilidade, que é a de se sentar à mesa com aqueles que querem políticas públicas para os desvalidos. Existe ineficiência do Governo em lidar com problemas sociais e, infelizmente, falta também o perfil diplomático necessário para o país conquistar novas fronteiras internacionais para aprimorar o mercado consumidor das commodities por aqui produzidas.

Se falta habilidade para lidar com coisas tão complexas, mas que aparentemente tem soluções já experimentadas pelo governo brasileiro, como no campo da diplomacia, o que podemos esperar daqui pra frente? Será que o amor entre empresários dos segmentos econômicos e o atrapalhado presidente da República ainda vai durar mais 100 dias?

Vinícius Bruno é Jornalista  

FOTO ARQUIVO PESSOAL

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