• 5 de dezembro de 2019

A difícil posição do DEM Parte 1/por Kleber Lima

O que era para ser um período de glórias para o Democratas de Mato Grosso em razão da eleição de um Governador do Estado depois de 24 anos (considerando que Júlio campos foi eleito pelo PDS, em 1982,  e Jayme Campos pelo PFL, em 1990) está se tornando um verdadeiro martírio para o partido, especialmente quando o assunto é construção partidária e a preparação para as eleições municipais de 2020.

No primeiro aspecto – construção partidária -, há um fenômeno de osmose a favorecer o crescimento de qualquer partido que ascenda a qualquer esfera de poder. Esferas mais altas, maior crescimento. Desde a divisão do Estado, em 1978, é possível afirmar com segurança que todos os partidos que chegaram ao Governo do Estado cresceram de modo substancial: PDS com Júlio Campos (1982), PMDB com Carlos Bezerra (1986), PFL com Jayme Campos (1990), PDT e depois PSDB com Dante de Oliveira, em 1994 e 1998, e PPS e depois PR com Blairo Maggi em 2002 e 2006.

Na Era Maggi, todavia, iniciou-se um processo interessante de despartidarização do governo. Tanto PPS como PR, os partidos do então governador, exerceram papéis secundários na definição do projeto de poder e de governo. Eram poucos os quadros genuinamente partidários que ocuparam cargos estratégicos no Governo. Ali, era mais fácil identificar o Governo pelas pessoas que tinham mais afinidade pessoal ou empresarial com o governador, formando vários tipos e “castas”, como a chamada “Turma da Botina”, “Turma de Rondonópolis”, “Turma de Lucas”, etc…

Já no Governo Silval Barbosa (2010 a 2014), parido do ventre do Governo despartidarizado de Maggi, os partidos voltaram a ter algum protagonismo, com o PMDB na liderança, mas o centro do poder foi ocupado por interesses meramente financeiros, o que produziu a maior tragédia política da história do Estado, com os já conhecidos casos de corrupção e escândalos, prisões, delações, etc.

Pedro Taques teve a proeza de fazer um governo sem partidos, sem política, sem grupos ou estamentos internos e sem projeto. Acabou sem marca, a não ser pelo grande número de vítimas entre aqueles que toparam compor seu staff devido ao caráter altamente beligerante do Governo. Por incrível que pareça, embora tivesse nomes de vários partidos em seu secretariado, praticamente nenhum deles foi indicação das suas respectivas siglas, o que fez com o Governo não tivesse a sustentação legítima e orgânica de nenhum partido – sequer do PSDB, o partido do governador.

Hoje, quando vemos a pouca presença do DEM no secretariado do governador Mauro Mendes – e ainda assim, em cargos ou posições terciárias -, não é difícil supor que os demais partidos também não têm força alguma na definição do projeto de Governo e de Poder.

A despartidarização continua no atual Governo, e isso sujeitará o DEM a ter papel coadjuvante não apenas na gestão, mas também na política, nas eleições municipais de 2020. Mas esse outro aspecto, a começar pela divisão interna do partido em lançar candidato próprio ou apoiar a reeleição do prefeito da capital, vai ficar para o artigo do próximo domingo.

(*) KLEBER LIMA é Diretor de Jornalismo do HNT / HiperNotícias e escreve aos domingos. E-mail: kleberlima@terra.com.br

Rufando Bombo

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